Dicas básicas para viajar com crianças

1- Flexibilidade

É a coisa mais importante que eu poderia te falar. Tenha flexibilidade para tudo: horários, alimentação, sono, roteiro. Se não der pra manter a rotina dos orgânicos, ou mudar um pouco o horário de comer, tudo bem. Talvez também haja alguma alteração nos horários de sono. Ou não, caso o seu filho tope numa boa dormir no carrinho. Você não vai estar na “night” com uma criança pequena às 3 da madrugada, mas pode uma noite ficar até as 22h num restaurante, sem que isso impacte para sempre o desenvolvimento emocional do pequeno. Pode ser que você não consiga cumprir todo o roteiro que planejou, pois um dia seu filho ficou exausto e você voltou cedo pro hotel. Sem problemas, qualquer hora vocês voltam e fazem o que ficou faltando. Ou não, fazem outras coisas e visitam outros lugares. Viajar com os filhos é, em si, uma experiência maravilhosa para toda a família. Quando a gente flexibiliza, anula o stress e pode usufruir muito mais plenamente desta experiência.

 

2- Flexibilizando a flexibilidade 😉

Se o seu filho não dorme sem um copo de Ninho 3+, ou só bebe água de coco, ou come biscoito Maizena diariamente no lanche, não tenha dúvidas: leve na mala. A bagagem é sempre mais vazia na ida do que na volta, estes itens serão inteiramente consumidos ao longo da viagem e ficará mais fácil flexibilizar com o resto da alimentação se a criança tiver alguma referência dos seus hábitos caseiros. Eu viajo com carregamento de água de coco, na maior tranquilidade. Todo dia, saio do hotel com uma caixinha na bolsa e ele pode, a qualquer momento, ter um gostinho de casa. Na volta, o espaço é ocupado pelas compras!

Na Torre de Londres, pausa para uma Água de Coco
Na Torre de Londres, pausa para uma Água de Coco

 

3- Remédio para enjôo

Se o seu filho precisa tomar remédio para enjôo (prescrito pelo pediatra, é claro), espere para dá-lo dentro do avião. Se a criança tomar o remédio na sala de embarque e, de repente, ocorrer um atraso, você corre o risco do efeito do medicamento “vencer” quando ainda é necessário, sem que você já possa ministrar outra dose. Isso aconteceu com o Dudu uma vez, e foi horrível. O Alexandre foi sozinho com ele me encontrar na Europa, deu o remédio dentro do aeroporto e, logo depois, foi anunciado o atraso. O vôo só saiu mais de duas horas depois. Resultado: o pobrezinho passou mal cinco vezes no avião. Para não ter problemas com a decolagem (que pode nausear a criança), dê o remédio assim que embarcar. A acomodação dos passageiros e liberação para decolar vai te dar tempo suficiente para a medicação fazer efeito e você ficar mais “garantida”.

 

4- Maletinha de brinquedos

É importante levar alguns brinquedos favoritos do seu filho para distrai-lo no avião, no hotel ou em situações de longas esperas. Mas esta seleção deve ser prática e racional. Você não quer sair do Brasil já com excesso de bagagem, né? A criança precisa entender que não dá pra carregar a Bat Caverna do Imaginex nem o Castelo de Diamantes da Barbie na bagagem de mão. Não esqueça, inclusive, de que você provavelmente comprará novos brinquedos ao longo da viagem. Eu costumo fazer assim: separo uma maletinha pequena e digo ao Dudu que temos de escolher brinquedos que caibam ali. Quantos ele quiser, contanto que caibam na maletinha. Sempre incluo um caderno e lápis de cor. Esta ideia apareceu no blog Tempo Junto, e funciona super bem. Existem muitas opções bacanas que não ocupam espaço, como dedoches, super trunfo, carrinhos e bonequinhos. Ainda por cima, você já ensina ao seu filho como ser razoável na hora de arrumar as malas…

A maletinha do Dudu está no blog Tempo Junto
A maletinha do Dudu está no blog Tempo Junto

5- Lista de compras

Antes de viajar, faça um inventário das roupas e sapatos que seu filho já tem, para ter uma noção do que ele realmente precisa. Não esqueça de anotar os tamanhos, de acordo com o lugar para onde você está indo. Se você não viaja todo ano, é legal ter o planejamento de tamanhos que durem até a próxima vez. Assim, você pode criar uma lista básica, do tipo: 1 calça jeans tam 3 e tam 5; 3 pijamas de frio tam 3; calça de moletom tam 5; shorts tam 3 e tam 5; tênis tam 13,5 e tam 1Y.  A partir daí, você fica “situado” e pode até se permitir mais liberdade para comprar o vestidinho apaixonante ou a camisa igual à do papai, sem correr o risco de deixar a criança com uma coleção de itens semelhantes e absolutamente sem meias ou bermudas.

 

6- Menos bolsas

Quanto mais bolsinhas e mochilinhas você carregar, maiores as chances de se enrolar e perder alguma coisa. De preferência, reúna tudo em uma só mochila, ou mesmo na bolsa de fraldas do bebê. Reserve um compartimento só pra você, com carteira, óculos, caneta, etc., mas concentre seus pertences e os da criança em um só volume. Se quiser realmente separar suas coisas mais importantes, use uma daquelas bolsinhas a tiracolo, que você não tira pra nada, pois vai deixar suas mãos livres. Os brinquedos que ele leva do hotel têm que caber na bolsa! Você não quer se ver às voltas com mil sacolas, mais um bicho enorme de pelúcia, enquanto seu filho pede colo! Alguma coisa acaba largada pra trás…

7- Preparação

O segredo para uma criança aproveitar ao máximo uma viagem é a preparação. Familiarizá-la com o destino, com os lugares que ela visitará, pintar um quadro na imaginação dela, contribuem significativamente para o entusiasmo que ela expressará ao se deparar concretamente com todas as novidades do passeio. Escrevi um post exclusivamente sobre isso, para ler clique aqui.

8- Carrinho

Indispensável, incontornável, imprescindível. Quanto mais simples e leve, melhor. A menos que você esteja partindo para uma viagem muito longa com um bebê muito pequeno, aí talvez você precise de um mais “potente”. Na grande maioria das vezes, o ideal é um daqueles do tipo guarda-chuva, bem básico, que você abre e fecha com uma só mão, e será seu companheiro fiel toda vez que seu filho ficar cansado, tiver que esperar na fila, na loja, no aeroporto. Não abro mão! Também escrevi um post só sobre este assunto, leia aqui.

Carrinho: item indispensável!
Carrinho: item indispensável!

9- Chuteiras e camisas

Se você é mãe de menino, provavelmente sairá do Brasil com uma lista de pedidos de chuteiras e camisas de times de futebol. As mães de meninas não fazem ideia da quantidade infinita de opções. Os garotos sabem, inclusive, que determinada camisa do Paris Saint Germain é a da temporada passada, para jogar fora de casa, e te fazem solicitações ultra precisas, como o terceiro uniforme do Bayern do segundo semestre deste ano! O pai acha tudo isso muito natural, a mãe acaba se acostumando. A dica é a seguinte: antes de viajar, pesquise as “encomendas” nos sites nacionais da Nike e da Adidas, e também na Netshoes, e anote. Os produtos oficiais costumam ter o mesmo preço em qualquer parte do mundo. As chuteiras ocupam espaço na mala. Se, na volta, você descobrir que poderia ter comprado pelo mesmo valor, parcelado em reais, sem sair de casa, vai faltar parede pra bater com a cabeça… 🙂 Quanto às camisas, a diferença é que, na Europa, você vai encontrar uma variedade inexistente por aqui, especialmente em relação a times menos “badalados”, mas igualmente desejados pelos nossos pequenos fanáticos. Nos Estados Unidos, entretanto, quase não se encontram itens relacionados a futebol (soccer). Se estiver sem a criança na hora, cuidado para não trazer um tênis de futebol americano (football), como minha mãe fez certa vez, que não vai servir para nossa paixão nacional. Em Orlando, no Florida Mall, há uma loja chamada World of Soccer. Foi o único lugar onde encontrei alguma coisa. Mesmo assim, a chuteira específica do Neymar, que constava na cartinha do Papai Noel, ficou presa no trenó: não encontrei de jeito nenhum e tive que inventar uma história mirabolante, que eu conto pra você qualquer hora. Nas lojas da Nike e Adidas dos outlets, você vai garimpar uma coisa ou outra, de repente aquela básica para “bater” na escola, mas não espere comprar ali o objeto de desejo do seu filho. A menos que o lance dele seja basquete…

 

De uniforme do Milan, no Disney's Hollywood Studios
De uniforme do Milan, no Disney’s Hollywood Studios

E você? Tem uma dica super bacana pra compartilhar com a gente? Escreve aqui nos comentários!

Viajar com os filhos é tudo de bom!

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Levar ou não levar o carrinho, eis a questão!

Muita gente me pergunta se deve levar o carrinho para a Disney, ou se é melhor alugar ou comprar lá. Peço que você tente visualizar as seguintes cenas de terror (melhor tirar as crianças da sala!):

 

Take 1: Você chega ao aeroporto de Orlando, após uma noite de viagem e uma possível conexão, e precisa ficar na fila da imigração. Seu filho estava dormindo no avião e continua exausto. Você tem bagagem de mão, casacos e um provável brinquedo pra carregar, além dos passaportes e demais papéis que precisam estar à mão. E seu filho quer colo.

 

Take 2: Acaba o pesadelo da imigração, você respira aliviado. E descobre que tem de andar léguas até o balcão de aluguel de carros, ou a recepção do Disney’s Magical Express (o ônibus da Disney, em outro post eu conto). E, mais uma vez, seu filho quer colo.

 

Take 3: Você alugou um daqueles lindos carrinhos dentro do parque da Disney. São 9 ou 10 horas da noite, seu filho está desmaiado no dito cujo, é hora de partir… E você tem que devolver o carrinho na saída do parque! Com mochila, casacos e o balão do Mickey, você vai levar uma criança adormecida no colo até o ponto do transporte que te leva até o estacionamento, depois andar até o carro, depois saltar no estacionamento do hotel e andar até o quarto.

 

Take 4: Você está no shopping, querendo comprar um enxoval completo para uma criança “ingrata”, que acha aquele programa uma chatice. Não consegue escolher nada, porque está apavorado com a possibilidade de perdê-la, já que ela não para de correr entre as araras de roupas.

 

Preciso continuar?

Minha resposta à fatídica pergunta é SEMPRE  a mesma: leve seu bom e velho carrinho tipo guarda-chuva.

Além de ser um ponto permanente de descanso para a criança (e para os pais), o carrinho serve de cabide para bolsas, casacos e compras, e até mesmo carrega as sacolas do carro até o quarto do hotel.

 

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Com a tralha pendurada no carrinho, as mãos ficam livres para brincar!

 

Optar por comprar lá vai te deixar descoberto no aeroporto, um dos lugares em que você mais precisará dele. No carrinho, a criança descansa, dorme, e ainda está segura pelo cinto.

Nas esperas mais longas (no shopping ou na imigração, por exemplo), você ainda pode lançar mão da arma secreta. E aqui eu peço um minuto silêncio pelo saudoso Steve Jobs, inventor do iPad, do iPhone, do iPod…

Ainda por cima, o casal pode aproveitar uma soneca do filhote para um brinde ou dois!

 

Uma taça de vinho em Epcot, na hora da soneca
Uma taça de vinho em Epcot, na hora da soneca

 

O carrinho não conta como bagagem e você despacha na entrada da aeronave. É um amigo para todas as horas, não o deixe para trás!

 


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