Literatura para viagem

Eu acredito que uma certa preparação pode tornar uma viagem muito mais fascinante, especialmente para as crianças. Existem diversas maneiras de familiarizar seu filho com aquilo que ele vai encontrar ao longo do roteiro de férias. Este processo fará com que ele se sinta à vontade, por encontrar um ambiente conhecido, e mais atento, pela curiosidade de descobrir, ao vivo, algo que já tenha sido objeto de seu interesse.

No post Formulando encantamentos, eu falei bastante sobre filmes – especialmente de animação – que se passam em alguns destinos frequentemente procurados. Hoje, eu gostaria de conversar sobre literatura.

Existem no mercado diversos guias de turismo para quem viaja com crianças. Eles são de grande utilidade, mas a arte se vincula à emoção, e isso faz toda a diferença. Meu tema aqui são livros que serão lidos com ou para as crianças, antes de partir para a aventura. Afinal, quem não sentiu vontade de rumar direto para o aeroporto, depois de ler um livro ou assistir a um filme que te transportou afetivamente para outro lugar?

Podemos preparar uma criança para a descoberta de um novo destino através de histórias passadas ali. A lista de títulos é inesgotável! Contar histórias abre portais na imaginação dos pequenos, conectando-os com o mundo descrito nas páginas do livro. Quando eles estiverem, em pessoa, no cenário destas histórias, a realidade será percebida de forma muito mais rica. Se você quiser dicas de livros passados em um local específico, fique à vontade para citá-lo nos comentários e eu ficarei feliz em ajudar.

No post de hoje, vou dar algumas sugestões, que considero particularmente preciosas.

Em primeiro lugar, recomendo a série “Diário de Pilar”, da autora carioca Flávia Lins, editada pela Zahar. Em uma narrativa cativante e inteligente, Pilar, seu amigo Breno e o gatinho Samba pulam numa rede mágica e mergulham, junto com o pequeno leitor, no passado e na geografia da Grécia, Egito, Amazônia e Machu Picchu. Pilar não para quieta, então já está no forno uma jornada da África até a Bahia. Outros destinos são mencionados no blog Diariodepilar, onde a criança pode acompanhar as peripécias desta simpática personagem ao redor do mundo. Uma boa ideia é comprar um caderno e incentivar seu filho ou filha a produzir seu próprio diário de viagens, à moda de Pilar. O resultado pode ser surpreendente!

 

A série Diário de Pilar, de Flávia Lins
A série Diário de Pilar, de Flávia Lins

 

Se você está indo para Orlando, uma ótima ideia é explorar a obra do Dr. Seuss. Sabe aquela área para crianças pequenas da Universal Islands of Adventure, que todo mundo acha uma gracinha, mas não sabe direito do que se trata? Pois é, a Seuss Landing é dedicada a um dos maiores autores infantis norte-americanos, cujos personagens povoam a imaginação de gerações de crianças. Há, inclusive, uma livraria dentro do parque, repleta de seus inúmeros títulos. O mais famoso é “O gatola da cartola” (The cat in the hat, editado em português pela Cia. das Letras), que virou um desenho animado exibido pelo canal Discovery Kids. Os ajudantes do gatola são os célebres Coisa 1 e Coisa 2 (Thing 1 e Thing 2), aqueles das camisetas vermelhas que todo mundo compra, também meio sem saber por quê… O delicioso filme “O Lorax” é baseado no livro homônimo, assim como “O Grinch”. Mas interessantes mesmo são os livros, poéticos e criativos, com ilustrações curiosíssimas do próprio Dr. Seuss.

 

Um pouquinho da obra do Dr. Seuss, tema de toda uma área na Universal Islands of Adventure
Um pouquinho da obra do Dr. Seuss, tema de toda uma área na Universal Islands of Adventure

 

O Gatola da Cartola, Coisa 1 e Coisa 2, na Seuss Landing
O Gatola da Cartola, Coisa 1 e Coisa 2, na Seuss Landing

 

Aproveite o fim de semana e vá até a livraria com as crianças! O mundo inteiro está esperando por elas nas prateleiras…

 

Ingressos na mão!

Como contei pra vocês no post Outono musical em Nova York, em breve embarco a trabalho para a França.

Faço visitas regulares ao norte deste país incrível, como parte das minhas atividades docentes na área da fisioterapia. Sou responsável, aqui no Rio de Janeiro, pela formação no método de Cadeias Musculares e Articulares GDS, então preciso fazer constantes reciclagens junto ao diretor mundial da formação, meu querido mestre Philippe Campignion.

O Centre de Formation Philippe Campignion fica em Camblain l’Abbé, quase na fronteira com a Bélgica, perto de Arras, uma cidade bastante interessante, a 50 minutos de trem de Paris. Ainda vou dedicar um post especialmente aos seus encantos…

 

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O Centre de Formation Philippe Campignion, na região francesa do Pas de Calais

 

Meu propósito agora, no entanto, é reafirmar o que já mencionei em Poupando suspiros: passarei apenas dois rápidos dias em Paris, mas por que não tentar aproveitá-los para conferir a agenda cultural?

Pois é, o ballet da Ópera de Paris vai se apresentar justo na minha noite livre. Anotei na agenda que hoje os ingressos começariam a ser vendidos, e à tarde já estavam quase esgotados!

Mas não é preciso entrar em pânico, eu e minhas três amigas – que me acompanharão nesta jornada – já temos nossos lugares garantidos!

 

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Lugares garantidos para quatro fisioterapeutas “perdidas” em Paris!

 

Só resta agora esperar setembro, para uma noite de ballet finalizada no Point bulles, a deliciosa champanheria que fica bem em frente ao meu hotel de sempre…

Afinal, como disse Pasteur, uma refeição sem champagne é como um dia sem sol!

 

Um dia (feliz) no museu

 

Crianças adoram museus. Você pode acreditar nisso.

Museus são lugares cheios de cor, objetos inusitados, uma imensa variedade de experiências.

Só que uma criança pequena, talvez, não esteja tão interessada em saber os detalhes históricos minuciosos que cercam uma peça específica, nem que um quadro tenha sido pintado por determinado artista em tal período, ou possivelmente se cansará após uma caminhada excessivamente longa… Aliás, o carrinho é sempre um bom aliado!

Há muitas alternativas para incrementar a visita, tanto a galerias de arte menores quanto a grandes museus, como o Louvre ou o Metropolitan. Dudu passou 5 horas felizes no British Museum de Londres, sem se entediar. Seguem algumas de minhas dicas:

  • Antes de viajar, apresente à criança as principais atrações do museu que será visitado. Para isso, há livros, revistas e o próprio site do museu. Vai ser muito legal mostrar ao seu filho determinada peça, ao vivo, e dizer: Lembra? A gente viu isso no site!
  • Explique previamente as regras: não correr, não tocar em nada, respeitar os outros visitantes.
  • Faça intervalos regulares para lanche ou almoço.
  • Em uma pinacoteca, por exemplo, costumo perguntar ao Dudu: qual o seu quadro preferido nesta sala? Ele se entretém por um bom tempo, examinando cada obra, até dar seu veredicto. Não importa se ele “esnobou” o da Vinci ou o Rembrandt em prol de um pintor menos valorizado. O que vale é o fato de que ele observou diferentes quadros e percebeu que um deles lhe despertou mais a sensibilidade. Às vezes, inclusive, ele escolhe, sem saber, o mesmo artista em salas diferentes, o que já vai denotando um pouco suas preferências… Missão cumprida, né?

 

Dudu e sua amiga Carol curtindo a Pinacoteca de São Paulo
Dudu e sua amiga Carol curtindo a Pinacoteca de São Paulo

 

  • Coloque uma máquina fotográfica nas mãos da criança e permita que ela registre suas próprias impressões. Você certamente se surpreenderá com o resultado. Dudu viu e fotografou coisas que nos tinham passado inteiramente despercebidas.

 

No British Museum, Dudu ficou um tempão contemplando esta reprodução de um pagode japonês...
No  Victoria and Albert Museum de Londres, Dudu ficou um tempão contemplando esta reprodução de um pagode chinês…

 

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Só ele percebeu que havia bonequinhos lá dentro!

 

  • Aproveite as atividades propostas pelo museu, especialmente para os pequenos. No British Museum, por exemplo, há um projeto chamado Hands On, em que monitores permitem que os visitantes peguem algumas peças nas mãos. O Centre Pompidou sempre tem atividades de artes para as crianças, geralmente baseadas nas exposições em cartaz.

 

Projeto Hands On, no British Museum. Pode tocar à vontade!
Projeto Hands On, no British Museum. Pode tocar à vontade!

 

  • Na lojinha do museu, peça à criança para escolher alguns postais de sua preferência, e faça uma “caça ao tesouro”, em busca das peças que os ilustram. A partir de uns 6 ou 7 anos, é diversão garantida!
  • Nas sessões destinadas a antigas civilizações, permita-se soltar a imaginação e inventar histórias. A visita se transformará numa incrível aventura, se seu filho imaginar o faraó passando por aquele portal, ou que ali vivia um samurai, ou que aquelas jóias pertenciam a uma princesa encantada… Creio, realmente, que podemos deixar a acurácia histórica para quando ele estiver um pouco mais velho, não é? O importante agora é criar o hábito dos programas culturais e, principalmente, despertar o interesse em conhecer a arte e o passado que nos trouxe até aqui.

 

Os mistérios do Egito realmente captaram a atenção do Dudu
Os mistérios do Egito definitivamente captaram a atenção do Dudu

 

Ele fez questão de fotografar o faraó Ramsés II
Ele fez questão de fotografar o faraó Ramsés II

Formulando encantamentos

Aqui no Rio de Janeiro, as férias escolares já chegaram. É tempo de escrever sobre viagens com crianças (talvez meu tema preferido…).

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que não é preciso levar seu filho à Disney para que ele se sinta no reino da fantasia. Até mesmo logo ali, em Petrópolis, o Museu Imperial pode estar cercado de toda uma atmosfera mágica. Qualquer lugar do mundo pode ser encantado, basta um pouquinho de pó de fada. Para mim, o pó de fada se chama “preparação para a viagem”.

Dudu viaja conosco desde os 7 meses, mas foi aos 2 anos que começaram as “preparações”. Existem filmes e histórias infantis relacionados a quase qualquer roteiro que você puder escolher. Quando a criança toma contato com um local através de imagens e personagens que povoam seu imaginário, aquele lugar automaticamente se enche de magia. Por exemplo: aos 4 anos, quando Dudu visitou o Regent’s Park (Londres), ele estava passeando onde os dálmatas Pongo e Prenda (e seus donos) se conheceram. E o Big Ben é o relógio sobre cujos ponteiros Peter Pan pousou com Wendy e seus irmãos… Da mesma forma, o Zoo do Central Park (Nova York) é vivo na imaginação dos pequenos como cenário de Madagascar, e uma visita ao Museu de História Natural de Nova York pode ficar mais divertida após a exibição de Uma Noite no Museu. Paris é cenário de Aristogatas, Ratatouille, O Corcunda de Notre Dame, Os Três Mosqueteiros e tantos outros, e uma viagem ao interior da Itália merece ser precedida de uma sessão de Pinocchio (aliás, o boneco é presença garantida em lojas de brinquedos artesanais por aquelas bandas…). Mesmo a Disney ganha muito em aproveitamento, se a criança estiver mais familiarizada com o que ela verá.

 

O lago do Regent's Park, em Londres: cenário de 101 Dálmatas
O lago do Regent’s Park, em Londres: cenário de 101 Dálmatas

 

Harry Potter quebrou esta vitrine do Zoo de Londres, para libertar uma cobra e despertar a ira de seu tio Dursley!
Harry Potter fez desaparecer esta vitrine do Zoo de Londres, para libertar uma cobra e despertar a ira de seu tio Dursley!

 

Do alto da torre, Quasímodo e suas amigas gárgulas observavam Esmeralda lá embaixo, na praça de Notre Dame
Do alto da torre, Quasímodo e suas amigas gárgulas observavam Esmeralda lá embaixo, na praça de Notre Dame

 

A lista é quase infinita, passando pelos cinco continentes, entre desenhos animados, filmes “de pessoa” (como diz o Dudu) e livros que não viraram filmes, mas que nem por isso são menos estimulantes. Além disso, estratégias especiais também podem transformar museus e monumentos em grandes aventuras. Mas isso será assunto para próximos posts… Pouco a pouco, pretendo ir escrevendo sobre a preparação para meus destinos favoritos, e estou aberta a sugestões! Qual será o cenário das peripécias da sua família nestas férias?