Museus em Paris que valem a visita – Parte 3

Continuando a série sobre museus em Paris, vamos conversar sobre Picasso, Monet e arte medieval. Mais uma vez, não esqueça de checar o Pariscope, para informações de acesso, dias e horários de funcionamento.

1- Musée Marmottan

A maior parte do acervo do Marmottan é dedicado à obra de Claude Monet. Muita gente deseja conhecer a famosa casa em Giverny, mas a maioria das pessoas nunca ouviu falar deste pequeno museu, dentro de Paris, bem pertinho do Bois de Boulogne. Aliás, “a boa” é combinar as duas visitas juntas, pois estas atrações ficam a uma curta distância a pé uma da outra. A coleção do Marmottan foi doada pelo filho do pintor e inclui um quadro que, por si só, vale a visita: Impressions, soleil levant (em português: Impressões, sol nascente). A denominação do movimento impressionista foi cunhada a partir deste quadro, que pode ser considerado sua pedra fundamental. Ainda neste lindo museu, eu gostei particularmente da coleção de iluminuras medievais, de uma beleza indescritível.

 

2- Musée de Cluny

Um charmoso castelo do século XIII, em uma pracinha aprazível no coração do Quartier Latin, abriga o museu nacional da Idade Média. De acesso fácil, sem fila, interessantíssimo tanto por suas coleções quanto pelo edifício em si, este local adorável merece ser incluído no seu roteiro. Você vai se surpreender com a variedade de peças inestimáveis em tapeçaria, ourivesaria, mobiliário, iluminuras (eu realmente adoro iluminuras medievais…) e outros tesouros.

O pátio do belo edifício que abriga o museu medieval
O pátio do belo edifício que abriga o museu medieval
musee de cluny
Musée de Cluny

 

3- Musée Picasso

Bem, Picasso dispensa apresentações. Localizado no delicioso bairro do Marais, o museu dedicado a este incomparável artista ficou um tempão fechado para reformas, mas reabrirá suas portas no dia 25 de outubro de 2014. Estou louca para revisitá-lo! Além de importantes obras de Picasso, o museu ainda abriga a coleção particular do artista, que inclui quadros de Cesanne, Seurat, Degas e outros gênios. Meu quadro favorito no museu é Violino e Partitura, de 1912. Mas os estudos para as célebres Demoiselles d’Avignon também me emocionaram.

 

Antes da grande reforma, assim era o pátio interno do Museu Picasso, onde havia uma cafeteira. Em poucos dias saberemos se alguma coisa mudou...
Antes da grande reforma, assim era o pátio interno do Museu Picasso, onde havia uma cafeteira. Em poucos dias saberemos se alguma coisa mudou…

 

 

 

Museus em Paris que valem a visita – Parte 1

Se você está indo a Paris pela primeira vez, seu roteiro passará obrigatoriamente pelo Louvre e pelo Musée d’Orsay. Atrações indiscutivelmente incontornáveis, já cantadas em prosa e verso pelos mais diversos veículos e autores, estes dois ícones parisienses foram deliberadamente excluídos desta lista singela. Exatamente por esta razão: dispensam recomendação, já estão previstos, com absoluta certeza. Depois de visitar estes gigantes imprescindíveis, a escolha entre os incontáveis museus e galerias espalhados pela cidade pode trazer dúvida – e até angústia – ao coração de quem gosta de arte e cultura. Eu definitivamente não conheço todos os museus de Paris (será que alguém conhece?!), mas já estive em um número considerável. Alguns eu gostei demais, outros não especialmente. Alguns bem óbvios, outros nem tanto. Alguns pretendo ainda visitar, outros não faço questão. Espero que a minha experiência possa te ajudar nessa “escolha de Sofia”, que é selecionar as igrejas, museus, parques, monumentos e outras atrações que caibam no número de dias programados para as férias às margens do Sena.

 

O Museu do Louvre e sua Pirâmide
O Museu do Louvre e sua Pirâmide

 

Musée d'Orsay
Musée d’Orsay
O Musée d'Orsay visto do Rio Sena
O Musée d’Orsay visto do Rio Sena

 

1- Musée Rodin

Este museu encantador foi o primeiro que visitei em Paris. É quase mágico, passear pelo jardim da casa em que viveu um dos maiores escultores da história, flanando entre obras de arte expostas ao ar livre. Para completar a experiência, não deixe de tomar um café ou um sorvete na cafeteria do jardim, depois visite o interior da casa, onde estão alguns dos mais famosos trabalhos de Auguste Rodin e Camille Claudel. O Musée Rodin fica muito perto do Musée d’Orsay e do Hôtel des Invalides, onde estão o túmulo de Napoleão e o Museu da Guerra. Se você tiver um cronograma apertado, pode ser uma boa ideia fazer os três no mesmo dia.

 

Musée Rodin
Musée Rodin
Pensador e Invalides
O Pensador em seus devaneios, entre as flores do jardim e o belo Dôme des Invalides
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Arte ao ar livre, no Musée Rodin
Dentro da casa onde viveu Rodin, algumas de suas mais belas obras
Dentro da casa onde viveu Rodin, algumas de suas mais belas obras
O beijo mais famoso da história da arte
O beijo mais famoso da história da arte
Uma "selfie" no Musée Rodin
Uma “selfie” no Musée Rodin

2- Musée de l’Orangerie

Quando você chega ao Jardin de Tuileries, vindo da Place de la Concorde, percebe que a entrada do parque que leva ao Louvre é ladeada por dois museus pequenos e simpáticos: à direita, o Musée de l’Orangerie; à esquerda, o Jeu de Paume. No Jeu de Paume você vai encontrar predominantemente exposições temporárias, e a programação pode ser conferida no indefectível Pariscope. Quanto ao Musée de l’Orangerie… Se você gosta de arte, deve realmente tentar incluir esta joia em seu roteiro! O museu tem uma pequena, porém expressiva, coleção de arte impressionista. Mas o ponto alto, de fato, são as duas grandes salas, em que painéis das Ninféias de Monet preenchem inteiramente cada uma das quatro paredes. De acordo com o local onde você se posiciona, em cada sala, os quadros imensos adquirem aspectos diversos, e a própria sala parece mudar.  A luz natural penetra, tornando a experiência diferente segundo o horário da visita. É possível se perder por um longo tempo, em meio a tamanha beleza…

Galerie Nationale du Jeu de Paume. Não tenho nenhuma foto do Musée de l'Orangerie...
Uma perspectiva “torta” da Galerie Nationale du Jeu de Paume. Não tenho nenhuma foto do Musée de l’Orangerie… 😦

 

3- Musée de l’Histoire de la Médecine

Este museu pequeno e impressionante fica dentro da Université Paris Descartes, na Rue de l’École de Médecine. Tem horários de funcionamento restritos e variáveis, então, mais uma vez, é necessário consultar o bom e velho Pariscope. A coleção inclui maletas com instrumentos de barbeiros-cirurgiões medievais, um estojo de medicamentos homeopáticos do século XIX, que pertenceu ao médico de Vincent Van Gogh, desenhos esquemáticos do cérebro humano, feitos por Sigmund Freud, modelos anatômicos do século XVIII, ferramentas cirúrgicas egípcias e outros tesouros. Se tudo isso já soa interessante para qualquer pessoa curiosa, imagine para alguém que trabalha na área da saúde!

Université Paris Descartes, onde funciona o Musée de l'Histoire de la Médecine
Université Paris Descartes, onde funciona o Musée de l’Histoire de la Médecine

No próximo post, vamos conversar sobre mais três museus que moram no meu coração. Esse papo ainda tem muito o que render…

 

Primeira parada: banca de jornal!

Se um amigo estivesse indo para Paris e eu tivesse a oportunidade de lhe dar uma única dica, eu certamente diria: Pariscope!

O Pariscope é uma revistinha semanal, que sai toda quarta-feira e é vendida em qualquer banca de jornal (inclusive no aeroporto, onde eu costumo comprar). Custa 50 centavos e cabe na bolsa. Ela contém toda a programação cultural daquela semana específica: shows, exposições, concertos, eventos, etc., além de listar os endereços e horários de funcionamento de todos os museus e galerias da Île de France.

Mesmo que você tenha um excelente guia da cidade, o Pariscope vai te informar se determinado museu está fechado naquela semana para reformas, evitando que você chegue lá e dê com a cara na porta. Ou talvez te mostre que, devido a um evento extraordinário, o mesmo museu estará aberto até mais tarde nos dias x, y e z, possibilitando um melhor planejamento do seu roteiro. Ou seja: ele é imprescindível.

Dependendo do seu dia de chegada e partida, não esqueça de que a programação de cada edição só cobre até a terça-feira, toda quarta-feira você deverá comprar uma nova.

Atualmente, existe o aplicativo do Pariscope, disponível para iPhone e Android. É grátis e vale muito à pena baixar. Entretanto, embora eu seja bastante adepta de tecnologias começadas pela letra i, ainda me mantenho apegada à boa e velha revistinha, que eu já vou marcando e sublinhando no trajeto do aeroporto até o hotel…