Ingressos na mão!

Como contei pra vocês no post Outono musical em Nova York, em breve embarco a trabalho para a França.

Faço visitas regulares ao norte deste país incrível, como parte das minhas atividades docentes na área da fisioterapia. Sou responsável, aqui no Rio de Janeiro, pela formação no método de Cadeias Musculares e Articulares GDS, então preciso fazer constantes reciclagens junto ao diretor mundial da formação, meu querido mestre Philippe Campignion.

O Centre de Formation Philippe Campignion fica em Camblain l’Abbé, quase na fronteira com a Bélgica, perto de Arras, uma cidade bastante interessante, a 50 minutos de trem de Paris. Ainda vou dedicar um post especialmente aos seus encantos…

 

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O Centre de Formation Philippe Campignion, na região francesa do Pas de Calais

 

Meu propósito agora, no entanto, é reafirmar o que já mencionei em Poupando suspiros: passarei apenas dois rápidos dias em Paris, mas por que não tentar aproveitá-los para conferir a agenda cultural?

Pois é, o ballet da Ópera de Paris vai se apresentar justo na minha noite livre. Anotei na agenda que hoje os ingressos começariam a ser vendidos, e à tarde já estavam quase esgotados!

Mas não é preciso entrar em pânico, eu e minhas três amigas – que me acompanharão nesta jornada – já temos nossos lugares garantidos!

 

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Lugares garantidos para quatro fisioterapeutas “perdidas” em Paris!

 

Só resta agora esperar setembro, para uma noite de ballet finalizada no Point bulles, a deliciosa champanheria que fica bem em frente ao meu hotel de sempre…

Afinal, como disse Pasteur, uma refeição sem champagne é como um dia sem sol!

 

Levar ou não levar o carrinho, eis a questão!

Muita gente me pergunta se deve levar o carrinho para a Disney, ou se é melhor alugar ou comprar lá. Peço que você tente visualizar as seguintes cenas de terror (melhor tirar as crianças da sala!):

 

Take 1: Você chega ao aeroporto de Orlando, após uma noite de viagem e uma possível conexão, e precisa ficar na fila da imigração. Seu filho estava dormindo no avião e continua exausto. Você tem bagagem de mão, casacos e um provável brinquedo pra carregar, além dos passaportes e demais papéis que precisam estar à mão. E seu filho quer colo.

 

Take 2: Acaba o pesadelo da imigração, você respira aliviado. E descobre que tem de andar léguas até o balcão de aluguel de carros, ou a recepção do Disney’s Magical Express (o ônibus da Disney, em outro post eu conto). E, mais uma vez, seu filho quer colo.

 

Take 3: Você alugou um daqueles lindos carrinhos dentro do parque da Disney. São 9 ou 10 horas da noite, seu filho está desmaiado no dito cujo, é hora de partir… E você tem que devolver o carrinho na saída do parque! Com mochila, casacos e o balão do Mickey, você vai levar uma criança adormecida no colo até o ponto do transporte que te leva até o estacionamento, depois andar até o carro, depois saltar no estacionamento do hotel e andar até o quarto.

 

Take 4: Você está no shopping, querendo comprar um enxoval completo para uma criança “ingrata”, que acha aquele programa uma chatice. Não consegue escolher nada, porque está apavorado com a possibilidade de perdê-la, já que ela não para de correr entre as araras de roupas.

 

Preciso continuar?

Minha resposta à fatídica pergunta é SEMPRE  a mesma: leve seu bom e velho carrinho tipo guarda-chuva.

Além de ser um ponto permanente de descanso para a criança (e para os pais), o carrinho serve de cabide para bolsas, casacos e compras, e até mesmo carrega as sacolas do carro até o quarto do hotel.

 

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Com a tralha pendurada no carrinho, as mãos ficam livres para brincar!

 

Optar por comprar lá vai te deixar descoberto no aeroporto, um dos lugares em que você mais precisará dele. No carrinho, a criança descansa, dorme, e ainda está segura pelo cinto.

Nas esperas mais longas (no shopping ou na imigração, por exemplo), você ainda pode lançar mão da arma secreta. E aqui eu peço um minuto silêncio pelo saudoso Steve Jobs, inventor do iPad, do iPhone, do iPod…

Ainda por cima, o casal pode aproveitar uma soneca do filhote para um brinde ou dois!

 

Uma taça de vinho em Epcot, na hora da soneca
Uma taça de vinho em Epcot, na hora da soneca

 

O carrinho não conta como bagagem e você despacha na entrada da aeronave. É um amigo para todas as horas, não o deixe para trás!

 


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Outono musical em Nova York

No post Poupando suspiros, contei um pouco como eu procedo para conferir a agenda cultural e comprar ingressos baseada nas datas programadas para uma viagem. Às vezes, porém, faço o caminho inverso. Algumas cidades são tão ricas do ponto de vista das artes e espetáculos, que vale à pena estabelecer as datas da visita a partir do que ela tem a oferecer.

Meus pais viajam regularmente com o objetivo de aproveitar a temporada de concertos e ópera, principalmente em Nova York. Como clientes VIP do Roteiro Renatours, eles sempre contam com opções avançadas de planejamento! 😉

Eles me passam uma época do ano aproximada: há alguns dias, por exemplo, fizeram a “encomenda” para uma semana em outubro, podendo transbordar um pouquinho para setembro.

Eu abro, então, a agenda das principais salas e escolho a semana com a melhor combinação de programas. Às vezes é difícil decidir, pois pode haver dois ou mais “incontornáveis” separados por um período de tempo inviável. Mas sempre dá para criar um mix excelente!

Este ano, foi moleza… Quase nem acreditei! Quando abri o site do Lincoln Center, lá estava ela… A Filarmônica de Berlim! Regida por Sir Simon Rattle, tocando a Paixão Segundo São Mateus, de Bach, justamente a peça favorita do meu pai (aliás, uma das mais belas da história da humanidade…). A partir daí, eu já sabia que todo o roteiro teria de ser construído em torno disso. Abri, então o Carneggie Hall e… Filarmônica de Berlim de novo! Tocando Schumann! Socorro!!!!! Também quero ir!!!! Mas nesta data estarei a trabalho na França, depois eu conto…

Bem, outubro é, ainda por cima, o auge da temporada de ópera na Metropolitan Opera House, e também do New York City Ballet (vão dançar Balanchine, a especialidade deles!).

Pra você ter uma ideia, a programação que criei para eles ficou assim:

 

5 de outubro: New York City Ballet, no Lincoln Center

6 de outubro: Filarmônica de Berlim (Schumann), no Carneggie Hall

7 de outubro: Bodas de Fígaro, na Metropolitan Opera House

8 de outubro: Filarmônica de Berlim (Bach), no Lincoln Center

9 de outubro: Carmen, na Metropolitan Opera House

10 de outubro: Musical da Broadway ou jantar especial

 

Eles comprarão as passagens para sexta-feira dia 3 de outubro. No dia da chegada, não tem programação, pois é muito cansativo. Sábado dia 11 de outubro, passagens de volta. Sucesso garantido.

 

No site da Metropolitan Opera, você pode ter uma visão global da agenda de cada mês
No site da Metropolitan Opera, você pode ter uma visão global da agenda de cada mês

 

Cada site informa a data e hora em que os ingressos para cada apresentação começarão a ser vendidos. É importante anotar na agenda e entrar no site assim que a venda estiver aberta. Quando comprei para o Lang Lang no Carneggie Hall, acessei com duas horas de “atraso” e os melhores lugares já tinham ido embora, restava menos da metade.

E então, quer tirar uma casquinha e copiar o programa? É melhor se apressar. Os ingressos para a Filarmônica no Lincoln Center estarão disponíveis a partir desta segunda-feira, 23 de junho, e devem se esgotar rapidamente!

 

Sir Simon Rattle, à frente da Filarmônica de Berlim
Sir Simon Rattle, à frente da Filarmônica de Berlim

 

Um dia (feliz) no museu

 

Crianças adoram museus. Você pode acreditar nisso.

Museus são lugares cheios de cor, objetos inusitados, uma imensa variedade de experiências.

Só que uma criança pequena, talvez, não esteja tão interessada em saber os detalhes históricos minuciosos que cercam uma peça específica, nem que um quadro tenha sido pintado por determinado artista em tal período, ou possivelmente se cansará após uma caminhada excessivamente longa… Aliás, o carrinho é sempre um bom aliado!

Há muitas alternativas para incrementar a visita, tanto a galerias de arte menores quanto a grandes museus, como o Louvre ou o Metropolitan. Dudu passou 5 horas felizes no British Museum de Londres, sem se entediar. Seguem algumas de minhas dicas:

  • Antes de viajar, apresente à criança as principais atrações do museu que será visitado. Para isso, há livros, revistas e o próprio site do museu. Vai ser muito legal mostrar ao seu filho determinada peça, ao vivo, e dizer: Lembra? A gente viu isso no site!
  • Explique previamente as regras: não correr, não tocar em nada, respeitar os outros visitantes.
  • Faça intervalos regulares para lanche ou almoço.
  • Em uma pinacoteca, por exemplo, costumo perguntar ao Dudu: qual o seu quadro preferido nesta sala? Ele se entretém por um bom tempo, examinando cada obra, até dar seu veredicto. Não importa se ele “esnobou” o da Vinci ou o Rembrandt em prol de um pintor menos valorizado. O que vale é o fato de que ele observou diferentes quadros e percebeu que um deles lhe despertou mais a sensibilidade. Às vezes, inclusive, ele escolhe, sem saber, o mesmo artista em salas diferentes, o que já vai denotando um pouco suas preferências… Missão cumprida, né?

 

Dudu e sua amiga Carol curtindo a Pinacoteca de São Paulo
Dudu e sua amiga Carol curtindo a Pinacoteca de São Paulo

 

  • Coloque uma máquina fotográfica nas mãos da criança e permita que ela registre suas próprias impressões. Você certamente se surpreenderá com o resultado. Dudu viu e fotografou coisas que nos tinham passado inteiramente despercebidas.

 

No British Museum, Dudu ficou um tempão contemplando esta reprodução de um pagode japonês...
No  Victoria and Albert Museum de Londres, Dudu ficou um tempão contemplando esta reprodução de um pagode chinês…

 

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Só ele percebeu que havia bonequinhos lá dentro!

 

  • Aproveite as atividades propostas pelo museu, especialmente para os pequenos. No British Museum, por exemplo, há um projeto chamado Hands On, em que monitores permitem que os visitantes peguem algumas peças nas mãos. O Centre Pompidou sempre tem atividades de artes para as crianças, geralmente baseadas nas exposições em cartaz.

 

Projeto Hands On, no British Museum. Pode tocar à vontade!
Projeto Hands On, no British Museum. Pode tocar à vontade!

 

  • Na lojinha do museu, peça à criança para escolher alguns postais de sua preferência, e faça uma “caça ao tesouro”, em busca das peças que os ilustram. A partir de uns 6 ou 7 anos, é diversão garantida!
  • Nas sessões destinadas a antigas civilizações, permita-se soltar a imaginação e inventar histórias. A visita se transformará numa incrível aventura, se seu filho imaginar o faraó passando por aquele portal, ou que ali vivia um samurai, ou que aquelas jóias pertenciam a uma princesa encantada… Creio, realmente, que podemos deixar a acurácia histórica para quando ele estiver um pouco mais velho, não é? O importante agora é criar o hábito dos programas culturais e, principalmente, despertar o interesse em conhecer a arte e o passado que nos trouxe até aqui.

 

Os mistérios do Egito realmente captaram a atenção do Dudu
Os mistérios do Egito definitivamente captaram a atenção do Dudu

 

Ele fez questão de fotografar o faraó Ramsés II
Ele fez questão de fotografar o faraó Ramsés II

Formulando encantamentos

Aqui no Rio de Janeiro, as férias escolares já chegaram. É tempo de escrever sobre viagens com crianças (talvez meu tema preferido…).

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que não é preciso levar seu filho à Disney para que ele se sinta no reino da fantasia. Até mesmo logo ali, em Petrópolis, o Museu Imperial pode estar cercado de toda uma atmosfera mágica. Qualquer lugar do mundo pode ser encantado, basta um pouquinho de pó de fada. Para mim, o pó de fada se chama “preparação para a viagem”.

Dudu viaja conosco desde os 7 meses, mas foi aos 2 anos que começaram as “preparações”. Existem filmes e histórias infantis relacionados a quase qualquer roteiro que você puder escolher. Quando a criança toma contato com um local através de imagens e personagens que povoam seu imaginário, aquele lugar automaticamente se enche de magia. Por exemplo: aos 4 anos, quando Dudu visitou o Regent’s Park (Londres), ele estava passeando onde os dálmatas Pongo e Prenda (e seus donos) se conheceram. E o Big Ben é o relógio sobre cujos ponteiros Peter Pan pousou com Wendy e seus irmãos… Da mesma forma, o Zoo do Central Park (Nova York) é vivo na imaginação dos pequenos como cenário de Madagascar, e uma visita ao Museu de História Natural de Nova York pode ficar mais divertida após a exibição de Uma Noite no Museu. Paris é cenário de Aristogatas, Ratatouille, O Corcunda de Notre Dame, Os Três Mosqueteiros e tantos outros, e uma viagem ao interior da Itália merece ser precedida de uma sessão de Pinocchio (aliás, o boneco é presença garantida em lojas de brinquedos artesanais por aquelas bandas…). Mesmo a Disney ganha muito em aproveitamento, se a criança estiver mais familiarizada com o que ela verá.

 

O lago do Regent's Park, em Londres: cenário de 101 Dálmatas
O lago do Regent’s Park, em Londres: cenário de 101 Dálmatas

 

Harry Potter quebrou esta vitrine do Zoo de Londres, para libertar uma cobra e despertar a ira de seu tio Dursley!
Harry Potter fez desaparecer esta vitrine do Zoo de Londres, para libertar uma cobra e despertar a ira de seu tio Dursley!

 

Do alto da torre, Quasímodo e suas amigas gárgulas observavam Esmeralda lá embaixo, na praça de Notre Dame
Do alto da torre, Quasímodo e suas amigas gárgulas observavam Esmeralda lá embaixo, na praça de Notre Dame

 

A lista é quase infinita, passando pelos cinco continentes, entre desenhos animados, filmes “de pessoa” (como diz o Dudu) e livros que não viraram filmes, mas que nem por isso são menos estimulantes. Além disso, estratégias especiais também podem transformar museus e monumentos em grandes aventuras. Mas isso será assunto para próximos posts… Pouco a pouco, pretendo ir escrevendo sobre a preparação para meus destinos favoritos, e estou aberta a sugestões! Qual será o cenário das peripécias da sua família nestas férias?

 

Poupando suspiros

Você chega na sua cidade de destino e dá de cara com um cartaz, anunciando que seu cantor favorito vai se apresentar amanhã. Uau! Seria a coroação épica da viagem, algo que marcaria sua memória para sempre! Você corre para um ponto de venda e – obviamente – os ingressos estão esgotados.

Decepção devastadora e… desnecessária. Por favor, poupe seus suspiros!!! Você pode dar um final feliz a esta história. Basta uma pitada de planejamento!

Quando fechar uma viagem, no dia em que comprar as passagens e definir o roteiro, pesquise a agenda cultural e/ou esportiva dos locais que vai visitar. Na maioria das vezes, você terá surpresas agradáveis.

Minha dica é não buscar em sites genéricos, tipo ticketmaster. Eles vão te mostrar uma lista gigantesca de eventos, que vão desde jogos de badminton até shows folclóricos. Você vai perder a paciência e optar entre nenhum programa e mais uma dose de musical da Broadway (nada contra, também adoro, mas há muitas outras coisas esperando por nós por este mundo afora…).

Sugiro focar na sua área de interesse e fazer uma busca específica. Será mais prático e eficaz. Por exemplo: eu sou fanática por música clássica e ballet. Vou regularmente a Paris, por conta do trabalho. Assim que defino a data (muitas vezes, passo apenas duas noites na cidade!), entro nos sites da Ópera de Paris , do Théatre des Champs Elysées e da Salle Pleyel e confiro o calendário dos dias em que estarei por lá. Estes são, de longe, os principais “templos” da música erudita/ballet/ópera da Cidade Luz. Levo uns 10 minutos na pesquisa! E faço toda a diferença na minha vida, pois, com isso, já tive a chance de presenciar performances de medalhões como Martha Argerich, Mischa Maisky e Kurt Masur, assim, como quem não quer nada.

Do mesmo jeito, é possível acessar a agenda dos jogos de futebol na Europa, pelo site da Champions League, ou do basquete nos EUA, de shows e eventos em qualquer lugar do mundo. Nas próximas oportunidades, darei o caminho das pedras para muitos eventos e muitos lugares, mas estou aberta a sugestões: se você quiser dicas sobre como pesquisar um tipo de evento em uma cidade específica, é só escrever nos comentários e terei prazer em criar um post especialmente pra você. Prepare o cartão de crédito, é hora de comprar ingressos!

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O grande pianista Radu Lupu, com a Orchestre de Paris, na Salle Pleyel

O dia em que Renata virou Renatours

Nos últimos anos, tenho sido uma grande fornecedora de dicas de viagem. Perdi a conta de quantos cafés compartilhei, para ajudar pacientes, alunos e amigos a programar a viagem à Disney com os filhos, reservar um concerto em Paris, escolher a melhor opção para levar os netos. Até uma professora do meu filho recorreu a mim para o planejamento da lua de mel! Tenho e-mails semiprontos sobre várias cidades e informações na ponta da língua.

Durante uma sessão de fisioterapia, conversava sobre isso com meu queridíssimo paciente Gustavo Monteiro. Comentei, brincando, que um dia ainda abriria uma agência de turismo, ao que ele retrucou:

  • E vai se chamar Renatours!

Pronto, eu estava rebatizada. Todo mundo incorporou rapidamente o apelido, e passei a receber regularmente e-mails pedindo “consultoria Renatours”. Foi um outro paciente, o Bruno Marques, a primeira pessoa a me dizer:

  • Você TEM que fazer um blog!!!

Isso porque, também durante a sessão, eu esclareci mil dúvidas que ele tinha sobre duas viagens que estava planejando (Turks and Caicos com a esposa e Disney com toda a família).

Depois de ouvir esta frase repetidas vezes, das mais diferentes pessoas, resolvi me render. Toda viagem tem surpresas escondidas, mas é mais fácil encontrar os tesouros se soubermos quando e onde cavar. O objetivo deste blog é dividir com você minha forma de traçar mapas para estes tesouros, e eu te convido a cavar comigo.