Fisioterapeutas a bordo

Dentro de um ano, 40 fisioterapeutas brasileiros realizarão um sonho: fazer um curso com o célebre professor Philippe Campignion, em seu próprio centro de formação, no norte da França. A partir de hoje, começarei a dedicar posts regulares a este projeto que venho desenvolvendo com tanta empolgação!

O curso será restrito a fisioterapeutas com formação completa no método de Cadeias Musculares e Articulares GDS. As vagas se esgotaram nas primeiras horas de divulgação. Conseguimos uma parceria com a Air France, que concederá desconto nas passagens de participantes e acompanhantes, e dentro de alguns dias poderemos dar a largada nos preparativos. Todas as informações estão no site da Kiné Clínica de Fisioterapia e Centro de Formação.

 

É assim que nosso curso aparece no site da Air France, quando entramos com o código de acesso
É assim que nosso curso aparece no site da Air France, quando entramos com o código de acesso

 

As atividades no pequeno vilarejo de Camblain l’Abbé durarão apenas 4 dias, sendo a primeira turma de 13 a 16 de julho e a segunda de 3 a 6 de agosto de 2015. É óbvio que ninguém vai se despachar para o outro lado do oceano pra bater lá e voltar, já soube até que vai ter uma caravana dos maridos… 🙂 Por isso, vou publicar muitas dicas sobre onde ir e o que fazer antes e depois de queimar os neurônios com os estudos de casos do nosso mago da biomecânica.

Estou disponível para ajudar também com as passagens de trem, é só me avisar!

 

A viagem de Paris a Arras dura 50 minutos no trem de alta velocidade (TGV)
cópia de Camblain
Da estação de trens em Arras, vamos de táxi até Camblain l’Abbé

 

Minha primeira visita à França foi em 1997. Uma viagem que mudou minha vida para sempre. Fui fazer minha formação em Cadeias Musculares e Articulares GDS, onde conheci Philippe Campignion, professor que se tornou minha grande referência profissional e com quem trabalho até hoje. Foi também a primeira grande viagem que planejei (os primórdios da Renatours), ainda na idade da pedra da internet. Depois do curso, passei um mês e meio de sonho, pela Europa, sozinha, foi uma experiência e tanto! Fiz outros pequenos cursos, rodei pela Provence e, principalmente, vivi uma das grandes emoções da minha história: o Festival de Salzburg, uma dos maiores ícones mundiais em música clássica. Mas tudo isso é tema para outras publicações…

Naquela época, quem quisesse aprender o Método GDS de Cadeias Musculares, tinha que iniciar o curso em São Paulo e depois fazer dois módulos super intensivos na Europa (um na França e outro na Bélgica). Isso durou até o ano 2000, quando passamos a ter a formação completa em São Paulo. Desde 2008, a formação acontece também aqui no Rio, sob minha coordenação e com uma equipe de professores super competente, e é por isso que eu viajo tanto para a França! Nestes 14 anos, mais de 300 fisioterapeutas se formaram no Brasil. E a gente começou a perceber que muitos tinham um desejo secreto… Conhecer pessoalmente o Centro de Formação Philippe Campignion, para beber diretamente da fonte. Mas como, sem falar francês?!

Foi então que pintou essa ideia bacana! Organizar um curso para fisioterapeutas brasileiros, lá em Camblain l’Abbé, com tradução para o português. A proposta fez tanto sucesso que tivemos de abrir uma segunda turma, e mesmo assim estamos com uma longa fila de espera. Estou desconfiada de que ainda faremos mais “excursões terapêuticas” deste tipo…

Enquanto isso, renovem seus passaportes e preparem-se para nossa contagem regressiva coletiva!

 

Philippe e Lori Campignion, com seus netos, nos esperam no ano que vem!
Philippe e Lori Campignion, com seus netos, nos esperam no ano que vem!

Croissants e macarrons

Este é o último post da série sobre o ritual do chá em Londres e Paris. Os lugares que vou citar hoje têm uma particularidade: ao contrário do Mariage Frères, tema do texto anterior, onde o chá propriamente dito é a “diva” absoluta, nestas casas a gulodice fala mais alto. Eles até oferecem chás deliciosos, mas você não irá até lá por causa disso, e sim pelas guloseimas inesquecíveis ou pelo local em si.
É o caso dos macarrons Ladurée, uma verdadeira instituição parisiense. Você os come com a boca e, principalmente, com os olhos. O de cereja é uma perdição. Ainda mais acompanhado de um chá de violeta, que eu sempre trago pra casa. Existem salões de chá Ladurée em diversos lugares, inclusive dentro das lojas de departamentos. Eu costumo frequentar o da Rue Bonaparte. Aliás, tornou-se uma tradição para mim: como o vôo chega de manhã, largo as malas no hotel e,  já que ainda não é hora do check in, vou tomar um brunch neste pequeno paraíso. A omelette que eles servem lá é a melhor que eu já comi na vida! E as viennoiseries… Não perca o croissant de pistache e amêndoas. Sem contar que o ambiente e a decoração são uma verdadeira viagem à belle époque. Atração incontornável!

 

Café da manhã na Maison Ladurée
Café da manhã na Maison Ladurée
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A viagem era a trabalho, mas me diverti muito com Mônica e Pat, tomando um brunch na Ladurée da Rue Bonaparte!

 

Ladurée na loja de departamentos Printemps
Ladurée na loja de departamentos Printemps

 

Outro local que gosto bastante, especialmente quando a idéia não é me perder em um ritual gastronômico sem hora para acabar, é o Paul. Tem em tudo quanto é canto, inclusive na estação de trem dentro do aeroporto. É o que eu mais frequento, aliás, pois muitas vezes, em minhas viagens de trabalho, nem chego a passar em Paris, vou direto para Arras. Eu sei, quase uma heresia, descer em Charles de Gaulle e não colocar meus pezinhos de fada na Cidade Luz (como diria minha amiga Anna). Mas nem sempre é possível… Enfim, o Paul também tem ótimos croissants, macarrons e sanduíches, além de opções de café da manhã ou brunch.

Um lugar especial, que eu conheço há pouco tempo, é o Museu Jacquemart-André. É um palacete belíssimo, que pertenceu a um casal de colecionadores de arte, e permanece decorado como no tempo em que eles lá viviam, no final do século XIX. Além dos móveis e objetos que te transportam para a vida deles, como em uma máquina do tempo, o acervo de obras de arte é de fato impressionante, principalmente se levarmos em conta que é uma coleção particular. Esta visita encantadora inclui um salão de chá, com vista para o jardim, onde você encontrará sanduíches, saladas e doces franceses de tirar o fôlego. O museu fica no Boulevard Haussmann 158. Todas as informações práticas estão disponíveis no website.

 

Mamãe escolheu a tartelette de amoras, no Café Jacquemart-André
Mamãe escolheu a tartelette de amoras, no Café Jacquemart-André

 

Finalmente, se você não está muito a fim de chá, pode experimentar o melhor chocolate quente de Paris, na Maison Angelina. Um salão decorado com o máximo requinte, atendimento excelente e a fina flor da patisserie francesa completam a receita para uma experiência inesquecível.

Difícil será escolher, entre todas essas delícias…

A arte francesa do chá

No texto Muffins ou Madeleines?, comecei a contar meus segredos de apaixonada por chá e prometi dividir o assunto em dois posts, um sobre Londres e outro sobre Paris.

Só que me dei conta de que, definitivamente, minha casa de chá preferida merecia um post inteirinho dedicado a ela. Vamos combinar diferente, então: hoje conversamos sobre o Mariage Frères, na próxima vez Ladurée e os outros, certo?

Fundado em 1854, o Mariage Frères é um dos estabelecimentos mais tradicionais de Paris. O foco deles é realmente no chá. Eles até fazem delícias comestíveis, mas tudo ali gira em torno das mágicas misturas de folhas, flores e ervas que tornam esta bebida tão interessante e misteriosa. A loja, em si, já é um sonho, com todas aquelas latas pretas lindas, enfileiradas… É só você pedir e os atendentes estão disponíveis para colher uma amostra que te permita sentir o perfume escondido em cada uma. Sem contar as chaleiras, xícaras e outros acessórios que se inspiram na arte e no design dos mais diferentes lugares e épocas.

Tudo isso é incrível, mas a festa começa, de fato, quando passamos ao salão de degustação. O garçon te traz uma catálogo com mais de mil qualidades de chá diferentes (falando sério, é um livro!), e você olha pra cara dele sem saber o que dizer. Acontece que todos na equipe são conhecedores, então ele conversa com você um pouquinho, para saber o tipo de sabor que te agrada, e te ajuda a escolher aquele que parece ter mais afinidade com o seu paladar. Se você já tem alguma experiência, ainda melhor, porque ele vai te conduzir por caminhos inexplorados dentro de um universo aparentemente conhecido…

 

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Degustando chá no Mariage Frères do Marais

 

Antigamente, você tinha poucas opções de acompanhamento para o seu chá. O delicioso básico da tradição francesa: madeleines, financiers, éclairs, viennoiseries. De uns anos para cá, o Mariage Frères desenvolveu toda uma linha culinária que utiliza o chá como tempero, em pratos quentes e frios, saladas e sobremesas. O mais interessante é que a refeição é acompanhada do chá propriamente dito, e cada prato é harmonizado com um tipo específico. É claro que nossos amigos garçons estão prontos para indicar se o seu prato harmoniza melhor com um Jiang Xi Imperial (chá preto da China), ou um Grand Oolong (chá azul, método de Formosa). Ou ainda, se você manifestar sua preferência por uma variedade específica da bebida, ele poderá sugerir o prato que lhe cairá como uma luva.

Um dado interessante é que a equipe se refere ao chá pelo mesmo tipo de vocabulário adotado pelos enólogos. Safra, aroma, cor, origem e outras particularidades são descritas de forma semelhante à que um sommelier utilizaria para definir um vinho. E as variações tendem ao infinito! Para quem deseja se aprofundar, a casa oferece diversas oficinas de descoberta e degustação, o chamado Tea Club. Os cursos se dividem em dois níveis: Primeira abordagem (iniciação) e Segredos dos Jardins (aprofundamento). Cada oficina dura em torno de 1h30min e pode ser seguida de um almoço.

 

Magret de pato com juliana de legumes, lindamente apresentado e harmonizado à perfeição com um chá do Ceilão
Magret de pato com juliana de legumes, lindamente apresentado e harmonizado à perfeição com um chá do Ceilão

 

Este ano, o Mariage Frères celebra 160 anos de existência em seu endereço original no Marais. Há diversos outros salões, lojas e quiosques de venda espalhados pela cidade, mas minha favorita ainda é a da Rue du Bourg Tibourg 30. Aliás, dentre os diversos produtos lançados para celebrar o aniversário, está uma exclusiva mistura de chá preto e notas florais e frutadas, batizada justamente de Bourg Tibourg. Estarei por lá em setembro para experimentar, depois te conto.

Recomendo que você faça uma visita ao website deles, onde estão disponíveis todas as informações, endereços, horários, agenda do Tea Club, cardápio do restaurante e catálogo de produtos, assim como a história dos irmãos Mariage e da arte do chá francês. A viagem já começa antes mesmo de você levantar da cadeira! Divirta-se nesta exploração, enquanto aguarda os macarrons com chá de violeta do meu próximo post…

 

Em casa, como em Paris!
Em casa, como em Paris!

 

 

Muffins ou madeleines?

Eu sou louca por chá. Desde criança, quando minha mãe saía mais cedo do trabalho às quartas-feiras e me levava ao Lord Jim Pub, em Ipanema, onde a inglesa Anne Philipps servia o tradicional chá completo, à moda britânica. Já na casa dos 20 anos, descobri os encantos do chá francês, graças a uma das mais belas passagens da literatura universal. O personagem de “Em Busca do Tempo Perdido” se vê invadido pelas reminiscências de uma vida inteira, a partir de uma experiência sensória deflagrada pelo cheiro e o sabor de uma madeleine mergulhada em chá de tília. Desde que tive o privilégio de ler Marcel Proust, cada madeleine mergulhada no chá é, para mim, uma experiência existencial.

Bem, este post não é sobre literatura e muito menos sobre minhas vivências pessoais, mas todos esses preâmbulos têm a intenção de deixar claro o espaço que o chá ocupa em minha vida. Porque os lugares que vou indicar para vocês são realmente especiais para mim. E estão localizados nas duas cidades que disputam, centímetro a centímetro, a posse do meu coração. Tanto que vou dividir este texto em duas partes, uma para cada cidade.

Vamos começar por Londres. Em Picadilly, desde 1707, existe um reino encantado para os amantes do chá. Um belíssimo edifício de seis andares, onde são produzidos todos os chás, biscoitos, geléias e bolos que abastecem o Palácio de Buckingham. A Fortnum and Mason funciona como uma loja de departamentos, dividida em sessões de biscoitos, chocolates, frios, louças, acessórios de cozinha, cestas de piquenique e muitas outras, além do chá, é claro. Este lugar de sonho conta com seis restaurantes, que vão desde uma sorveteria e um wine bar até o The Diamond Jubilee Tea Salon, que eles descrevem, apropriadamente, como um ícone britânico. Quando fiz 40 anos, em 2012, propus à minha mãe uma viagem só nós duas, para desfrutarmos nossas maiores paixões em comum: ballet e chá. Ainda contarei muitos detalhes em posts futuros, mas já posso adiantar que fizemos uma grande comemoração no chá das cinco deste salão fantástico, recentemente reformado em homenagem ao jubileu de diamante da rainha Elizabeth II. Ali, a tradição é respeitada em cada receita, na maneira de servir, na decoração, em todos os detalhes. Você pode visualizar os cardápios e fazer sua reserva pelo site. Só não esqueça de destinar um tempo para passear pela loja, você nunca viu tantas delícias reunidas num mesmo local!

 

A fachada da Fortnum and Mason, em Piccadilly
A fachada da Fortnum and Mason, em Piccadilly, enfeitada para o Jubileu da rainha

 

Tradição nos mínimos detalhes
Tradição nos mínimos detalhes

 

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Scones que derretem na boca, mini-sanduiches, pequenas delícias…

 

Trouxe  para casa o Jubilee Tea Blend, criado especialmente para homenagear os 60 anos do reinado de Elizabeth II
Trouxe para casa o Jubilee Tea Blend, criado especialmente para homenagear os 60 anos do reinado de Elizabeth II

 

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Uma forma britânica de comemorar a chegada aos 40!

 

Um lugar muito simpático para o chá das cinco é, também, a famosa loja de departamentos Harrods. Há diversas opções, espalhadas nos sete andares, que oferecem desde lanches rápidos até jantares requintados. Para o chá, há o Georgian Restaurant, o The Tea Room e o The Harrods Terrace, entre outros.

 

Eu e Alexandre escolhemos o Georgian Restaurant, enquanto Dudu dormia no carrinho.
Eu e Alexandre escolhemos o Georgian Restaurant, enquanto Dudu dormia no carrinho.

 

Se a ideia é comprar chá para levar pra casa, meu lugar favorito é The Tea Palace, que fica no Convent Garden. Eles têm um Earl Grey with blue flowers que é de beber suspirando. A loja é uma experiência sensorial, os chás ficam em recipientes de vidro para que você sinta os aromas e veja a beleza das misturas de folhas. A maior parte dos meus acessórios foram comprados lá (infusores, coadores, medidores…).

 

No cantinho do chá que tenho na cozinha, há lugar reservado para as latinhas The Tea Palace
No cantinho do chá que tenho na cozinha, há lugar reservado para as latinhas The Tea Palace

 

A loja da Twinnings, a marca inglesa de chá mais conhecida no Brasil, foi uma decepção para mim. Achei totalmente sem graça. Entretanto, eles fizeram uma enorme reforma, que inclui a criação de um museu do chá, então imagino que agora seja um bom programa. Preciso voltar a Londres para conferir!

Eles continuam não tendo salão de degustação, então é só para comprar chá e acessórios. A novidade é que você pode escolher saquinhos avulsos para compor sua caixa, embora o chá em folhas seja bem melhor. Inclusive, se você está acostumado a comprar Twinnings no Brasil, saiba que o de lá é diferente: eles têm uma linha para exportação mais adaptada ao paladar internacional. Meu favorito da marca é o Lady Grey, e eu prefiro o que compro por lá.

De toda forma, você pode tomar chá com scones, muffins e short breads (os tradicionais biscoitos amanteigados escoceses) em qualquer lugar da Inglaterra. Dificilmente você sairá decepcionado, ainda que tenha escolhido um lugarzinho simples, que encontrou pelo caminho. Até mesmo no hotel, experimentei scones de tirar o fôlego, num típico ambiente vitoriano. Os ingleses realmente sabem valorizar as tradições, e mantê-las vivas para que possamos desfrutá-las. God save the queen!

No próximo post, vou te convidar para um chá em Paris. Você topa?

Ingressos na mão!

Como contei pra vocês no post Outono musical em Nova York, em breve embarco a trabalho para a França.

Faço visitas regulares ao norte deste país incrível, como parte das minhas atividades docentes na área da fisioterapia. Sou responsável, aqui no Rio de Janeiro, pela formação no método de Cadeias Musculares e Articulares GDS, então preciso fazer constantes reciclagens junto ao diretor mundial da formação, meu querido mestre Philippe Campignion.

O Centre de Formation Philippe Campignion fica em Camblain l’Abbé, quase na fronteira com a Bélgica, perto de Arras, uma cidade bastante interessante, a 50 minutos de trem de Paris. Ainda vou dedicar um post especialmente aos seus encantos…

 

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O Centre de Formation Philippe Campignion, na região francesa do Pas de Calais

 

Meu propósito agora, no entanto, é reafirmar o que já mencionei em Poupando suspiros: passarei apenas dois rápidos dias em Paris, mas por que não tentar aproveitá-los para conferir a agenda cultural?

Pois é, o ballet da Ópera de Paris vai se apresentar justo na minha noite livre. Anotei na agenda que hoje os ingressos começariam a ser vendidos, e à tarde já estavam quase esgotados!

Mas não é preciso entrar em pânico, eu e minhas três amigas – que me acompanharão nesta jornada – já temos nossos lugares garantidos!

 

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Lugares garantidos para quatro fisioterapeutas “perdidas” em Paris!

 

Só resta agora esperar setembro, para uma noite de ballet finalizada no Point bulles, a deliciosa champanheria que fica bem em frente ao meu hotel de sempre…

Afinal, como disse Pasteur, uma refeição sem champagne é como um dia sem sol!

 

Um dia (feliz) no museu

 

Crianças adoram museus. Você pode acreditar nisso.

Museus são lugares cheios de cor, objetos inusitados, uma imensa variedade de experiências.

Só que uma criança pequena, talvez, não esteja tão interessada em saber os detalhes históricos minuciosos que cercam uma peça específica, nem que um quadro tenha sido pintado por determinado artista em tal período, ou possivelmente se cansará após uma caminhada excessivamente longa… Aliás, o carrinho é sempre um bom aliado!

Há muitas alternativas para incrementar a visita, tanto a galerias de arte menores quanto a grandes museus, como o Louvre ou o Metropolitan. Dudu passou 5 horas felizes no British Museum de Londres, sem se entediar. Seguem algumas de minhas dicas:

  • Antes de viajar, apresente à criança as principais atrações do museu que será visitado. Para isso, há livros, revistas e o próprio site do museu. Vai ser muito legal mostrar ao seu filho determinada peça, ao vivo, e dizer: Lembra? A gente viu isso no site!
  • Explique previamente as regras: não correr, não tocar em nada, respeitar os outros visitantes.
  • Faça intervalos regulares para lanche ou almoço.
  • Em uma pinacoteca, por exemplo, costumo perguntar ao Dudu: qual o seu quadro preferido nesta sala? Ele se entretém por um bom tempo, examinando cada obra, até dar seu veredicto. Não importa se ele “esnobou” o da Vinci ou o Rembrandt em prol de um pintor menos valorizado. O que vale é o fato de que ele observou diferentes quadros e percebeu que um deles lhe despertou mais a sensibilidade. Às vezes, inclusive, ele escolhe, sem saber, o mesmo artista em salas diferentes, o que já vai denotando um pouco suas preferências… Missão cumprida, né?

 

Dudu e sua amiga Carol curtindo a Pinacoteca de São Paulo
Dudu e sua amiga Carol curtindo a Pinacoteca de São Paulo

 

  • Coloque uma máquina fotográfica nas mãos da criança e permita que ela registre suas próprias impressões. Você certamente se surpreenderá com o resultado. Dudu viu e fotografou coisas que nos tinham passado inteiramente despercebidas.

 

No British Museum, Dudu ficou um tempão contemplando esta reprodução de um pagode japonês...
No  Victoria and Albert Museum de Londres, Dudu ficou um tempão contemplando esta reprodução de um pagode chinês…

 

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Só ele percebeu que havia bonequinhos lá dentro!

 

  • Aproveite as atividades propostas pelo museu, especialmente para os pequenos. No British Museum, por exemplo, há um projeto chamado Hands On, em que monitores permitem que os visitantes peguem algumas peças nas mãos. O Centre Pompidou sempre tem atividades de artes para as crianças, geralmente baseadas nas exposições em cartaz.

 

Projeto Hands On, no British Museum. Pode tocar à vontade!
Projeto Hands On, no British Museum. Pode tocar à vontade!

 

  • Na lojinha do museu, peça à criança para escolher alguns postais de sua preferência, e faça uma “caça ao tesouro”, em busca das peças que os ilustram. A partir de uns 6 ou 7 anos, é diversão garantida!
  • Nas sessões destinadas a antigas civilizações, permita-se soltar a imaginação e inventar histórias. A visita se transformará numa incrível aventura, se seu filho imaginar o faraó passando por aquele portal, ou que ali vivia um samurai, ou que aquelas jóias pertenciam a uma princesa encantada… Creio, realmente, que podemos deixar a acurácia histórica para quando ele estiver um pouco mais velho, não é? O importante agora é criar o hábito dos programas culturais e, principalmente, despertar o interesse em conhecer a arte e o passado que nos trouxe até aqui.

 

Os mistérios do Egito realmente captaram a atenção do Dudu
Os mistérios do Egito definitivamente captaram a atenção do Dudu

 

Ele fez questão de fotografar o faraó Ramsés II
Ele fez questão de fotografar o faraó Ramsés II

Formulando encantamentos

Aqui no Rio de Janeiro, as férias escolares já chegaram. É tempo de escrever sobre viagens com crianças (talvez meu tema preferido…).

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que não é preciso levar seu filho à Disney para que ele se sinta no reino da fantasia. Até mesmo logo ali, em Petrópolis, o Museu Imperial pode estar cercado de toda uma atmosfera mágica. Qualquer lugar do mundo pode ser encantado, basta um pouquinho de pó de fada. Para mim, o pó de fada se chama “preparação para a viagem”.

Dudu viaja conosco desde os 7 meses, mas foi aos 2 anos que começaram as “preparações”. Existem filmes e histórias infantis relacionados a quase qualquer roteiro que você puder escolher. Quando a criança toma contato com um local através de imagens e personagens que povoam seu imaginário, aquele lugar automaticamente se enche de magia. Por exemplo: aos 4 anos, quando Dudu visitou o Regent’s Park (Londres), ele estava passeando onde os dálmatas Pongo e Prenda (e seus donos) se conheceram. E o Big Ben é o relógio sobre cujos ponteiros Peter Pan pousou com Wendy e seus irmãos… Da mesma forma, o Zoo do Central Park (Nova York) é vivo na imaginação dos pequenos como cenário de Madagascar, e uma visita ao Museu de História Natural de Nova York pode ficar mais divertida após a exibição de Uma Noite no Museu. Paris é cenário de Aristogatas, Ratatouille, O Corcunda de Notre Dame, Os Três Mosqueteiros e tantos outros, e uma viagem ao interior da Itália merece ser precedida de uma sessão de Pinocchio (aliás, o boneco é presença garantida em lojas de brinquedos artesanais por aquelas bandas…). Mesmo a Disney ganha muito em aproveitamento, se a criança estiver mais familiarizada com o que ela verá.

 

O lago do Regent's Park, em Londres: cenário de 101 Dálmatas
O lago do Regent’s Park, em Londres: cenário de 101 Dálmatas

 

Harry Potter quebrou esta vitrine do Zoo de Londres, para libertar uma cobra e despertar a ira de seu tio Dursley!
Harry Potter fez desaparecer esta vitrine do Zoo de Londres, para libertar uma cobra e despertar a ira de seu tio Dursley!

 

Do alto da torre, Quasímodo e suas amigas gárgulas observavam Esmeralda lá embaixo, na praça de Notre Dame
Do alto da torre, Quasímodo e suas amigas gárgulas observavam Esmeralda lá embaixo, na praça de Notre Dame

 

A lista é quase infinita, passando pelos cinco continentes, entre desenhos animados, filmes “de pessoa” (como diz o Dudu) e livros que não viraram filmes, mas que nem por isso são menos estimulantes. Além disso, estratégias especiais também podem transformar museus e monumentos em grandes aventuras. Mas isso será assunto para próximos posts… Pouco a pouco, pretendo ir escrevendo sobre a preparação para meus destinos favoritos, e estou aberta a sugestões! Qual será o cenário das peripécias da sua família nestas férias?

 

Vista do segundo andar

Muitas vezes, a gente precisa organizar a visita a uma cidade levando em conta que há muito para ver em poucos dias, sem perder de vista que uma viagem de férias não deveria ser extenuante… Uma boa opção para economizar tempo e pernas é usufruir do serviço daqueles ônibus de dois andares, tipo “hop on hop off”.

Em Barcelona, ele se chama Bus Turistic, e foi uma tremenda mão na roda. Barcelona é uma cidade relativamente grande, com suas principais atrações espalhadas por diferentes regiões. Utilizamos o Bus Turistic efetivamente como um meio de transporte, com a vantagem de nos levar diretamente aonde queríamos ir, saltando na porta, sem desvios, sem labirintos pelo metrô, e ainda por cima vendo a cidade de cima. Compramos o passe de dois dias e valeu muito à pena.

 

Bus Turistic em Barcelona
Bus Turistic em Barcelona
Barcelona vista de cima
Barcelona vista de cima

 

Londres é uma cidade de locomoção fácil, mas o The Original Tour proporcionou descanso e diversão para o Dudu, na época com 4 anos. Pegamos o ônibus em frente ao Sherlock Holmes Museum e paramos na Torre de Londres. Ele adorou o passeio! E ainda ganhamos uma visita guiada para a troca da guarda, o que foi uma boa pedida (o guia ia levando a gente por uns atalhos para que pudéssemos acompanhar as diversas etapas do ritual, que acontecem em lugares diferentes quase simultaneamente).

 

Em Londres, no The Original Tour sightseeing bus
Em Londres, no The Original Tour sightseeing bus

 

Em ambas as cidades, o passe pode ser comprado diretamente no ônibus, em qualquer uma das paradas, e o preço varia de acordo com o número de dias em que será utilizado. Depois é só sentar e apreciar a paisagem!

Primeira parada: banca de jornal!

Se um amigo estivesse indo para Paris e eu tivesse a oportunidade de lhe dar uma única dica, eu certamente diria: Pariscope!

O Pariscope é uma revistinha semanal, que sai toda quarta-feira e é vendida em qualquer banca de jornal (inclusive no aeroporto, onde eu costumo comprar). Custa 50 centavos e cabe na bolsa. Ela contém toda a programação cultural daquela semana específica: shows, exposições, concertos, eventos, etc., além de listar os endereços e horários de funcionamento de todos os museus e galerias da Île de France.

Mesmo que você tenha um excelente guia da cidade, o Pariscope vai te informar se determinado museu está fechado naquela semana para reformas, evitando que você chegue lá e dê com a cara na porta. Ou talvez te mostre que, devido a um evento extraordinário, o mesmo museu estará aberto até mais tarde nos dias x, y e z, possibilitando um melhor planejamento do seu roteiro. Ou seja: ele é imprescindível.

Dependendo do seu dia de chegada e partida, não esqueça de que a programação de cada edição só cobre até a terça-feira, toda quarta-feira você deverá comprar uma nova.

Atualmente, existe o aplicativo do Pariscope, disponível para iPhone e Android. É grátis e vale muito à pena baixar. Entretanto, embora eu seja bastante adepta de tecnologias começadas pela letra i, ainda me mantenho apegada à boa e velha revistinha, que eu já vou marcando e sublinhando no trajeto do aeroporto até o hotel…

 

Poupando suspiros

Você chega na sua cidade de destino e dá de cara com um cartaz, anunciando que seu cantor favorito vai se apresentar amanhã. Uau! Seria a coroação épica da viagem, algo que marcaria sua memória para sempre! Você corre para um ponto de venda e – obviamente – os ingressos estão esgotados.

Decepção devastadora e… desnecessária. Por favor, poupe seus suspiros!!! Você pode dar um final feliz a esta história. Basta uma pitada de planejamento!

Quando fechar uma viagem, no dia em que comprar as passagens e definir o roteiro, pesquise a agenda cultural e/ou esportiva dos locais que vai visitar. Na maioria das vezes, você terá surpresas agradáveis.

Minha dica é não buscar em sites genéricos, tipo ticketmaster. Eles vão te mostrar uma lista gigantesca de eventos, que vão desde jogos de badminton até shows folclóricos. Você vai perder a paciência e optar entre nenhum programa e mais uma dose de musical da Broadway (nada contra, também adoro, mas há muitas outras coisas esperando por nós por este mundo afora…).

Sugiro focar na sua área de interesse e fazer uma busca específica. Será mais prático e eficaz. Por exemplo: eu sou fanática por música clássica e ballet. Vou regularmente a Paris, por conta do trabalho. Assim que defino a data (muitas vezes, passo apenas duas noites na cidade!), entro nos sites da Ópera de Paris , do Théatre des Champs Elysées e da Salle Pleyel e confiro o calendário dos dias em que estarei por lá. Estes são, de longe, os principais “templos” da música erudita/ballet/ópera da Cidade Luz. Levo uns 10 minutos na pesquisa! E faço toda a diferença na minha vida, pois, com isso, já tive a chance de presenciar performances de medalhões como Martha Argerich, Mischa Maisky e Kurt Masur, assim, como quem não quer nada.

Do mesmo jeito, é possível acessar a agenda dos jogos de futebol na Europa, pelo site da Champions League, ou do basquete nos EUA, de shows e eventos em qualquer lugar do mundo. Nas próximas oportunidades, darei o caminho das pedras para muitos eventos e muitos lugares, mas estou aberta a sugestões: se você quiser dicas sobre como pesquisar um tipo de evento em uma cidade específica, é só escrever nos comentários e terei prazer em criar um post especialmente pra você. Prepare o cartão de crédito, é hora de comprar ingressos!

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O grande pianista Radu Lupu, com a Orchestre de Paris, na Salle Pleyel